Diferentemente de um rattrapante convencional, que utiliza dois ponteiros centrais sobrepostos para registrar tempos intermediários, o sistema Mono-Rattrapante trabalha com apenas um ponteiro de segundos do cronógrafo.
O pulsador superior, localizado às duas horas, controla as funções convencionais de início, parada e retorno a zero. Durante a cronometragem, ao manter pressionado o pulsador inferior, o ponteiro central é temporariamente imobilizado, permitindo a leitura de um tempo intermediário.
Embora o ponteiro permaneça parado, o mecanismo continua contabilizando o tempo transcorrido. Ao liberar o pulsador, a energia acumulada em uma delicada mola auxiliar faz com que o ponteiro avance rapidamente até alcançar a posição correspondente ao tempo efetivamente decorrido, retomando então sua progressão normal.
Trata-se de uma solução mecânica particularmente criativa: oferece a leitura de um tempo intermediário e o posterior “reencontro” com a cronometragem em curso, mas sem recorrer aos dois ponteiros centrais, às pinças e à complexa arquitetura de um verdadeiro cronógrafo à rattrapante.
Esta configuração é tradicionalmente associada ao Valjoux calibre 84, movimento de corda manual desenvolvido para a Bovet e intimamente ligado à história do seu Mono-Rattrapante. Além da complicação central, sua disposição clássica apresenta pequenos segundos às nove horas e contador de 30 minutos às três.
Mais do que uma variação estética de um cronógrafo de época, o Bovet Mono-Rattrapante representa uma solução mecânica própria, rara e imediatamente reconhecível. É um relógio cuja importância está menos no nome estampado no mostrador e mais na originalidade da engenharia existente sob ele.