Essa arquitetura estabeleceu a configuração que permanece associada ao Speedmaster Professional até hoje. Sua relação com o programa espacial exige uma distinção histórica importante: os rigorosos testes conduzidos pela NASA em 1964 e 1965 foram realizados com exemplares da referência ST 105.003. Após a qualificação do Speedmaster, a ST 105.012 — identificada internamente pela NASA como modelo 6126 — foi adquirida para utilização no programa Apollo sem necessidade de uma nova bateria de testes.
Os Speedmasters atribuídos a Neil Armstrong e Buzz Aldrin para a missão Apollo 11 pertenciam à sub-referência 105.012-65. Armstrong deixou seu relógio dentro do Módulo Lunar como reserva para o instrumento de cronometragem da espaçonave, enquanto Aldrin utilizou o seu durante a atividade extraveicular. Assim, foi um 105.012-65 o primeiro relógio usado na superfície da Lua.
O presente exemplar é uma execução posterior, a ST 105.012-66 CB. Portanto, pertence à mesma família de referência dos relógios da Apollo 11, compartilha sua arquitetura, seu mostrador Professional e o calibre 321, mas não deve ser confundido com a exata sub-referência utilizada por Aldrin na superfície lunar.
A designação “-66” corresponde à versão inscrita no interior do fundo da caixa e não determina, isoladamente, o ano de montagem ou expedição do relógio. Segundo o Extrato dos Arquivos da Omega, este exemplar, equipado com o movimento nº 25.445.263, foi produzido em 28 de novembro de 1967 e entregue originalmente à Suécia.
As letras “CB” identificam a fabricante da caixa, La Centrale Boîtes. A sub-referência 105.012-66 foi produzida com caixas provenientes de dois fornecedores: Huguenin Frères, identificada pela marca HF, e La Centrale Boîtes, identificada por CB.
A execução da Centrale Boîtes apresenta uma geometria própria nas asas. Além da configuração assimétrica e das tradicionais asas torcidas, sua superfície superior possui uma pequena área plana, delimitada por uma linha ou aresta entre os planos de acabamento. Entre colecionadores, essa construção é frequentemente chamada de “twisted flat lugs”.
Essas facetas constituem um dos principais critérios de avaliação das caixas CB, pois podem ser reduzidas ou inteiramente eliminadas por polimentos sucessivos. Neste exemplar, a geometria característica da caixa permanece claramente perceptível, contribuindo de maneira importante para sua qualidade e interesse colecionável.
O mostrador preto apresenta a configuração correspondente à referência: construção em degrau, conhecida como step dial, logotipo Omega aplicado, inscrição “Speedmaster Professional” e assinatura inferior “T SWISS MADE T”, indicativa da utilização original de trítio.
O relógio conserva ainda um bezel taquimétrico de tipografia DON — Dot Over Ninety — reconhecido pela posição do ponto acima do número 90. Trata-se do padrão de bezel correto para a sub-referência 105.012-66 e de um componente especialmente relevante na avaliação de um Speedmaster anterior à Lua.
No interior está o Omega calibre 321, cronógrafo de corda manual com 17 rubis e frequência de 18.000 alternâncias por hora. Sua arquitetura utiliza roda de colunas e acoplamento horizontal para comandar os segundos centrais do cronógrafo, o contador de 30 minutos e o totalizador de 12 horas.
O calibre 321 equipou sucessivas gerações do Speedmaster, incluindo a ST 105.003 submetida aos testes da NASA e os exemplares ST 105.012 utilizados no programa Apollo. Sua importância resulta, portanto, tanto da qualidade de sua arquitetura mecânica quanto de sua participação documentada na história da exploração espacial.
Este exemplar é acompanhado por caixa, sobrecaixa, bracelete Omega vintage, documentação e Extrato dos Arquivos da Omega. O conjunto, aliado à presença do calibre 321, do mostrador step dial, do bezel DON e da característica caixa CB, forma uma configuração particularmente completa e relevante para o colecionismo de Speedmasters anteriores à Lua.